quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Saudade é o amor que fica....

 
 
 
No dia 30 de janeiro é comemorado o dia da saudade, essa palavra existe apenas na língua portuguesa e galega e serve para definir o sentimento de falta de alguém ou de algum lugar.
De origem latina, saudade é uma transformação da palavra solidão, que na língua escreve-se “solitatem”. Com o passar dos anos, assim como outras palavras se transformam de acordo com as variações da pronúncia, solitatem passou a ser solidade, depois soldade e, finalmente, saudade.
Podemos considerar que no dia da saudade as pessoas se dedicam às lembranças de seus entes queridos que estão ausentes, de fatos que viveram ou de lugares e objetos que marcaram suas vidas. Isso faz com que a palavra saudade se torne melancólica, trazendo certo sofrimento.
Saudade é também definida como “a sensação de incompletude, ligada à privação de pessoas, lugares, experiências, prazeres já vividos e vistos, que ainda são um bem desejável”, segundo o dicionário Veja Larousse.
Em outras línguas não existe uma palavra capaz de traduzir o significado amplo de saudade, mas algumas delas trazem conceitos próximos, mas não tão nobres. Em inglês, saudade é “I miss you” que quer dizer sinto sua falta; em Francês “souvenir”, que significa lembrança; em italiano “ricordo affetuoso”, recordação afetuosa; em espanhol “recuerdo ou te extraño mucho, que significam lembrança e sinto falta, respectivamente.
Ao longo da história podemos perceber a saudade nas músicas e nos poemas, desde longos anos. Charlie Chaplin diz: “Sorri quando a dor te torturar
e a saudade atormentar os teus dias tristonhos vazios”; Luis Fernando Veríssimo determina que “não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar”; Vinícius de Moraes e Tom Jobim cantaram a saudade dizendo: “Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai”.
Os sertanejos também retratam muito a saudade, pois deixam o campo para trabalhar na cidade. Chitãozinho e Xororó falaram da saudade retratando que “por nossa senhora, meu sertão querido, vivo arrependido por ter deixado. Esta nova vida aqui na cidade, de tanta saudade, eu tenho chorado”.
E o rock não podia deixar de se manifestar sobre o tão nobre sentimento. Raul Seixas registrou sua expressão na letra que diz “hoje é feriado, é o dia da saudade, hoje não tem aula pra garotada, velhas de varizes na calçada, só na saudade”.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Solidão Coração




Esteve perplexa em frente ao papel durante algum tempo.De repente as linhas,a caneta e a inspiração pareciam um branco total.Havia tanto o que dizer ,tanto a desvendar dentro de um coração a explodir pela intensidade do que estava lá dentro.E então o silêncio desvendou o inexprimível e escreveu tudo tão naturalmente que sentia sua mão conduzida por alguém que não lhe pertencesse.Parou por um momento e então pôde reconhecer que o tal sentimento que habitava o pobre peito era um mocinho muito conhecido por aquelas bandas.Amar era comum e o pobre coração não hesitava em bancar o mendigo que implora até pelas mais minúsculas migalhas de atenção.Pedia um resquício de amor só por hoje,por esta tarde por um sonho apenas....Se saía muito bem o danadinho como pedinte,37 anos e contando.Era tão grande sua habilidade que causaria inveja a qualquer pedinte.“E ai senhor, fez quanto hoje?” “Somente alguns centavos, e você coração?” “Eu fiz alguns abraços, um pouco de beijo " “Mas é pra vida inteira coração?” “Não, né não. Mas só por hoje basta senhor” “Certeza coração?” Certeza, certeza, ele não tinha não. Mas o que poderia fazer? Dormir sozinho? Virar-se na solidão? Não, não.Ser só ,não parecia o correto para o pobre coração.Virar-se na solidão?  Parecia tão sujo e errado quanto aqueles velhos maltrapilhos que mendigavam há anos. Então coração continuava pedindo. Era o único jeito que sabia viver. Por isso, agora, tinha certeza de que estava equivocado. Equivocado em acreditar que naquele dia quente de dezembro uma alma caridosa havia jogado em sua direção não migalhas que durariam até o amanhecer se tivesse muita sorte, mas um amor pra vida inteira. Um amor que desconcertava, que bagunçava, porque era tão novo e tão certo, que não podia ser real. Equivocado porque não foi preciso pedir. Desta vez coração não teve que fazer números de pirofagia, contar anedotas ou histórias tristes da sua vida de andarilho. Não, não, não. O moço que jogou o amor pra vida inteira ali nos pés do coração, o fez simplesmente porque coração estava ali, no dia certo, na esquina certa, em uma noite quente de dezembro.
A lembrança fazia coração rir. “Mas tu é muito sortudo meu!”. Mas lá no fundo ele tinha medo. Porque o novo dava medo. E coração que estava acostumado a uma vida pedindo, implorando, sempre de joelhos rezando para que aquela sensação durasse até a manhã seguinte, tinha que aprender a ser amado.
“Mas como alguém pode amar um coração maltrapilho como eu? Assim fico até sem jeito”. E por isso só lhe restava agradecer “Obrigada por me amar como exatamente como eu sou”. Ainda que a ideia o desconcertasse, ele estava certo de que nada poderia fazer além de render-se e se deixar ser amado pela primeira vez. Não por uma noite. Mas por uma vida inteira talvez.
“Obrigada moço. Eu também te amo. Mas te amo assim ô, do jeitinho que tu é”.