quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Outro tipo de mulher nua

(Martha Medeiros)
Leio que Fernanda Karina posará nua por R$ 2 milhões, depois leio que a revista não confirmou o convite, depois leio que ela vai posar sim senhor e vai utilizar o dinheiro numa campanha para eleger-se deputada, e no meio desta artilharia de informação eu fico tonta e me pergunto: quem diabos é Fernanda Karina? Ah, a secretária que esteve na CPI e que virou mais uma celebridade instantânea neste país surreal.


Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Serviu cafezinho numa cena de novela? Posa pelada. É prima de um jogador de basquete? Posa pelada. Caiu do terceiro andar? Posa pelada.


Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, bastando pra isso uns retoquezinhos aqui e ali. Dá uma grana boa. E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?


Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.


Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.


Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não boneca s de porcelana.


Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais. Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo. Mas agora não há mais charme nem suspense. Estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também. Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.


Não conheço strip-tease mais sedutor.

A Dama do Lago


A Dama do Lago



As lendas que chegam dos seculos até nos falam uma sabedoria misteriosa. Podemos escutar como elas ecoam em nosso Mundo Profundo, e conseguir revelações.



Viagem Interior

Andando nos espaços lunares do sonhar,
se aproximando da cachoeira,
você descobre esse lago verde, onde
se refletem as arvores
e o vôo dos pássaros.
Com prazer, se abaixando,
você coloca a mão na água.
deixando a água acariciar sua mão.
E com a voz do sonhar,
você chama a Dama do Lago.
Um movimento na água atrai sua atenção,
e pode ver Ela emergindo
no seu corpo de luz,
seus lindos cabelos ondulando em ondas
no mesmo ritmo das ondas da água.
O corpo de luar dEla ilumina as águas profundas.
Enquanto você se inclina
em cima da águas profundas,
ela esta sorrindo,
irradiando bem estar e harmonia.
E você esta olhando com tranqüilidade
esse trauma, essa ferida
que se escondia nas águas profundas da sua memória.
Na luz emanando da Dama do Lago,
tudo se ilumina, e você compreende,
compreende com tudo seu ser.
Já esse mal estar esta se transmutando
em poder.
Um poder que vai iluminar seu cotidiano,
de maneira tão natural.
Esta se transmutando em poder,
como é natural,
com a naturalidade da água
ondulando no luar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Para minha mãe


Hoje seria o aniversário da minha mãe(30/10).Sim mas todos nós sabemos, quando alguém que amamos morre, lembramos tanto da data da sua morte como a data do nascimento, não é assim com você?Eu sempre lembro não adianta...Ela faria 63 anos
   São quase uma da manhã, o som do Renato Russo com a música Quando o sol bater na janela do teu quarto me fez chorar...Sim eu to com saudades da minha mãe, queria ela aqui Sabe se hoje eu tivesse que dizer a ela algumas coisas seriam mais ou menos assim:

Mãe.

Você tinha razão em tantas coisas, mas em vez de te pedir perdão eu resolvi pedir perdão a mim mesma, já que fiz tantas coisas assim comigo mesma tendo seus avisos, mas tu sabe né mãe quase nunca sabemos cuidar de nós mesmos, você mesma sabia disso...
Estou aqui vendo tanta coisa de camarote, também muitas coisas não mudaram nada viu,como a falsidade e a hipocrisia de muita gente.As meninas estão crescendo ,lindas,felizes muito acredito que fiz a escolha certa viu mãe porque sinto ela trilharem um caminho muito seguro.
Não consigo perder a mania dos cotovelos rs e eu ainda resisto com a mania de deixar arrumadas as coisas,você me deixou com trauma, tá eu to tentando e to tentando ser mais tolerante com certas coisas,mas não consigo deixar ainda os chinelos virados porque eu escuto vc dizendo pra eu desvirar.Bem tenho duas cachorrinhas muito amáveis ,creio que vc iria gostar ,agora os passarinhos são muitos e vc iria ralhar...Não roí mais unhas mas ainda não sou aquele poço de vaidade que vc lutava pra q eu fosse.Também ainda carrego um par de esquisitices por conta de uma históia que tu contava que tinha acontecido com uma amiga ...
Mãe, o seguinte, qual chá você me dava pra ter sono?Já usei tantos e não adianta, você colocava rivotril nele?Me ajuda, aqui tá dificil hein...Tenho saudade do seu cafuné...era tão bom...
Se estou morando na Europa rs?Não, ainda moro bem perto da casa onde morávamos.Ela está diferente mas acho que a pessoa que mora lá é feliz e fez um bom trabalho.
Também não, eu sei, tinha dito que ia ficar velhinha lá, mas sou jovem ainda tá?Quem sabe né...o mundo dá tanta volta.Ah mãe ,por favor dá uma forcinha aí pro meu anjo da guarda porque eu quebrei o meu pé e tá difícil de curar ..to ficando aflita com isso viu...
Ah entraremos de férias logo ,mas olha tenho viajado muito pouco, leio bastante ,adoro rir com os amigos ainda e conservo poucos que vc conheceu.
D. Nadir tem cuidado de mim ,é dificil as vezes mas agora não falo mais nada vai que ela foge.
Mãe, eu as vezes tenho medo, muito medo mesmo, vontade de esconder dentro do meu ninho e não sair mais, mas aprendi a enfrentar ele, e é bom mesmo com medo tenho enfrentado as coisas.
Hoje eu trabalho com voluntariado e acredito que vc ficaria muito feliz.Tua neta maior é uma sapateadora linda e a pequenininha afff,as vezes me lembra vc ,sempre quer as coisas do jeito dela.To tentando fazer alguns exercícios de novo no piano ,mas mãe como tem sido difícil.Suas netas  são muito inteligentes você ficaria orgulhosa.Ahh sempre levo ao dentista,e estou sempre comprando livros a elas!Mas se faço tudo isso não é porque você "mandou", e sim pelo fato de aprender que você sabia!!!Meu maior dilema tem sido estudar, não sei bem o que fazer, ou o que continuar, afinal medicina já desisti(rs) vi que não seria possível,porque apesar de jovem eu já to chegando nos quarenta.Acredita que penso em Enfermagem?E quem sabe inglês de novo?Táááá eu continuo viajando na batatinha!!!
O pai? Está no ninho dele, cuidando da vida...
Quer saber mais de mim?Olhe um pouco pra você, coloque uns 20 kgs a mais, palhaçadas a mais, medos a mais, e talvez você se encontre. Ou veja tia Nena, ela está mais próximo que eu de vc.Mas te falo assim muito feliz mãe, já que hoje sinto orgulho de quem sou, sou eu mesma, e mesmo com cicatrizes e muitas vezes engasgada de lembranças dificeis, estou aqui, limpa e feliz!
Mãe, fica em paz eu me encontrei, e acredite, eu estava o tempo todo aqui, só procurava em lugares errados.
Obrigada por tudo, principalmente por trazer tanta seriedade a minha vida, ouvi hoje suas músicas preferidas e lembrei suas poesias da mágoa e do sorriso.

Um beijo ,a lua tá tão bonita eu vou mandar um beijo por ela vc pega?

obs:Mãe obrigada pelo cabelo tá? Aff do jeito que sou preguiçosa não ia rolar a chapinha...mas não tenho suas unhas eram lindass...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Papo cabeça

Esses dias eu estava conversando  com uma amiga, aqui preciso fazer um parênteses: Não chamo mais qualquer um de amigo. Sou arisca como o diabo quando o assunto é confiança e acredito que amigos são almas afins e, como já dizia um filósofo, cujo nome não me lembro, eles "são, apesar de nada".

Bem,nós falávamos sobre a dor que é a traição de um amigo. E, num desabafo, me contou o caso era alguém que considerava muito

Enquanto descrevia o que posso classificar de "a sacanagem do século", percebi que o seu rosto ia mudando de expressão, caindo, se aprofundando, envelhecendo, bem ali, diante de mim. Os olhos adquiriram uma coloração cinzenta. Sabem de uma coisa? Eu já nem prestava tanta atenção à história e sim ao estrago que ela havia feito no coração daquela pessoa tão otimista, bom caráter, valente, preparada. 

Uma garra de aço apertou o meu coração e lembrei de outras tantas ocasiões em que fui traída de forma tão maldosa, por gente que também se intitulava amigo, amiga, irmão, e outros epítetos que hoje, para mim, frequentam um solo sagrado e quase inacessível. 

De que adianta ficar lembrando o que fulano ou beltrano nos fizeram? Reclamar de coisas tão cotidianas e frequentes nesse mundo de Maya - a senhora da ilusão? Amigo querido, rasgue os e-mails trocados, apague os arquivos da decepção no computador e na alma. A sua saúde, agradece.

Há sim é que se refletir nos estragos maiores que são causados por atitudes levianas das quais somos vítimas e em outras vezes autores - que Deus me livre das duas situações.

Ser traído por um amigo é muito pior do que amargar a infidelidade de uma relação, trair é da natureza humana (mas por favor, não pensem que aprovo a idéia,amo meu marido e estamos bem obrigada ).

Quando um amigo nos trai, ele leva consigo uma parte da nossa esperança na humanidade, provoca uma tristeza que envelhece, amargura, rouba a nossa inocência e, talvez o pior de tudo, diminui o espaço em nosso coração para a entrada do amor e da fraternidade de que tanto precisamos. A prova disso, é o crescimento desmesurado de criaturas frágeis, emocionalmente carentes porém medrosas. Em compensação, a turma que "não prega prego sem estopa", floresce alegremente. 

Desculpem esse papo tão tão estranho, mas afinal, tem dias em que tento compreender o incompreensível e acaba dando nisso, um papo cabeça do c...Conto com vocês para dividir opiniões.Bjomeliguem! Um beijo enorme pra todos os meus amigos ,tenho certeza de que eles sabem quem são!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia do amigo


20 de julho - Dia do Amigo




A vocês que habitam meu coração ininterruptamente, de perto ou de longe, e não precisam jamais pedir licença pra entrar (e que jamais deixarei sair). Que me fazem companhia, repartem comigo o que sabem, o que gostam, o que riem, o que descobrem e tudo o mais, uma pequena homenagem pelo DIA DO AMIGO.

Graças a vocês, eu nunca me sinto sozinha. E espero que tenham consciência de que, no que depender de mim, vocês também não ficarão sozinhos dia nenhum - pois não há dia que se passe sem que eu agradeça pelos amigos que tenho.

E eu sei que todos os anos, nesta mesma data, eu envio esse poema, uma homenagem para minha querida madrinha que está lá no céu,ela nunca esquecia este dia ...e me fez gostar dele também. Mas fazer o que se ele diz tudo e mais um pouco, não é? A insistência é apenas para relembrá-los do valor que têm para mim.

Um beijo especial
Obrigada por estarem aqui,


Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias(Fernando Pessoa)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Faz de Conta.

Clarice Lispector

Faz de conta.

{ }
"Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo e que ela não estivesse pálida de morte, estava pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz-de-conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz-de-conta verde cintilante de olhos que vêem, faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando, ...faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver"

Uma aprendizagem, ou o Livro dos prazeres.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O ponto Negro




Olá !
Outro dia uma amiga leu para mim uma linda mensagem abaixo  :

O professor foi entregando, então, a folha da prova com a parte do texto virada para baixo, como era de costume.
Depois que todos receberam, pediu que desvirassem a folha.
Para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro, no meio da folha.
O professor, analisando a expressão de surpresa que todos faziam, disse o seguinte:
- Agora, vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo.
Todos os alunos, confusos, começaram, então, a difícil e inexplicável tarefa.
Terminado o tempo, o mestre recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta.
Todas, sem exceção, definiram o ponto negro, tentando dar explicações por sua presença no centro da folha.
Terminada a leitura, a sala em silêncio, o professor então começou a explicar:
- Esse teste não será para nota, apenas serve de lição para todos nós. Ninguém na sala falou sobre a folha em branco.
Todos centralizaram suas atenções no ponto negro.
Assim acontece em nossas vidas.
Temos uma folha em branco inteira para observar e aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros.
A vida é um presente da natureza dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado.
Temos motivos para comemorar sempre!
A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá o sustento, os milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro!
O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um amigo.
Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente.
Pense nisso!
Tire os olhos dos pontos negros de sua vida.
Tranquilize-se e seja... FELIZ!"

          Assim que terminei de ler o texto fiquei em silêncio senti meu coração beliscado,  um pouco depois refletindo sobre minhas atitudes e percebi que realmente as coisas funcionam assim ( pelo menos na maior parte do tempo ), temos algo muito bom, mas por causa de um pequeno detalhe o desvalorizamos totalmente.

Eu mesma passei por uma situação dessa recentemente. Puxa como é difícil ver a folha branca.Esse texto me fez pensar: Porque somos assim ?

Reflita um pouco se isso também ocorre com você...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O poder do silêncio



Pensar antes de reagir é uma das ferramentas mais nobres do ser humano nas relações interpessoais.
Nos primeiros trinta segundos de tensão, cometemos os maiores erros de nossas vidas,
Falamos palavras e temos gestos diante das pessoas que amamos que jamais deveríamos expressar.
Nesse rápido intervalo de tempo, somos controlados pelas zonas de conflitos, impedindo o acesso de informações que nos subsidiariam a serenidade, a coerência intelectual, o raciocínio crítico.
Um médico pode ser muito paciente com as queixas de seus pacientes, mas muitíssimo impaciente com as reclamações de seus filhos.
Pensa antes de reagir diante de estranhos, mas não diante de quem ama.
Não sabe fazer a oração dos sábios, nos focos de tensão, o silêncio.
Se vivermos debaixo da ditadura da resposta, da necessidade compulsiva de reagir quando pressionados, cometeremos erros, alguns muito graves.
Só o silêncio preserva a sabedoria quando somos ameaçados, criticados, injustiçados.
Cada vez as pessoas estão perdendo o prazer de silenciar, de se interiorizar, refletir, meditar.
O dito popular de contar até dez antes de reagir é imaturo, não funciona.
O silêncio não é se aguentar para não explodir, o silêncio é o respeito, pela própria inteligênciaQuem faz a oração dos sábios, não é escravo do binômio do bateu-levou.
Quem bate no peito e diz que não leva desaforo pra casa, não pensa nas consequências de seus atos.
Quem se orgulha de vomitar para fora tudo que pensa, machuca quem mais deveria ser amado, não conhece a linguagem do auto controle.
Decepções fazem parte do cardápio das melhores relações.
Nesse cardápio precisamos do tempero do silêncio para preparar o molho da tolerância.
Para conviver com máquinas não precisamos de silêncio nem da tolerância, mas com seres humanos elas são fundamentais.
Ambos são frutos nobres da arte de pensar antes de reagir. Preserva a saúde psíquica, a consciência, a tranquilidade.
O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguez dos fracos.
O silêncio e a tolerância são as armas de quem pensa, a reação instintiva é a arma de quem não pensa.
É muito melhor ser lento no pensar do que rápido em machucar,
É preferível conviver com uma pessoa simples, sem cultura acadêmica, mas tolerante, do que com um ser humano de ilibada cultura saturada de radicalismo, egocentrismo, estrelismo.
Sabedoria e tolerância não se aprendem nos bancos de uma escola, mas no traçado da existência.
Ninguém é digno de maturidade se não usar suas incoerências para produzí-la.
Todo ser humano passa por turbulências na vida. Para alguns falta o pão na mesa; a outros a alegria na alma. Uns lutam para sobreviver, outros são ricos e abastados, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade.
Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzí-la com sua fama, mas ela não se deixou achar. Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: “...Eu me escondo nas coisas simples e anônimas...”.
Todos fecham os seus olhos quando morrem, mas nem todos enxergam quando estão vivos.

Código da Inteligência (Augusto Cury)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Borboletas na Barriga

Para ,
quem as tem


Ana tinha borboletas na barriga. A curiosa condição gástrica lhe provocava algum incômodo. Sempre que por algum motivo emocional ela se agitava, as borboletas também se alvoroçavam. E, claro, desencadeavam reações fisiológicas terríveis nela, não bastasse o transtorno, seja lá qual fosse, pelo qual já passava. Cada uma batia suas asas para um lado diferente. Ana suava. Cada uma fazia cócegas em um canto distinto de seu estômago. Ana tremia. Cada uma falava uma língua - sim, elas falavam. Ana ficava tonta. Todas voejantes a um só tempo e Ana já não sabia o que fazer. Ter borboletas na barriga pode até mesmo tirar o sono.
Difícil saber como esses bichos vão parar ali. Se eles nascem com a pessoa. Se eles estavam em semente em alguma fruta comida na infância. Se crescem por força da vontade de, não tendo asas por fora, ao menos tê-las por dentro. Ter borboletas na barriga é, assim, meio como a alma querendo voar, mas que dá apenas os primeiros passos nessa arte difícil de tirar os pés do chão. Todo mundo já chegou na beirada da varanda, olhou lá pra baixo. Todo mundo sabe como é. Antes de levitar, qualquer coisa desse tipo é impossível. A queda é mais fácil.
Ana achava que ia cair. Mas as borboletas iam em outra direção que não a do solo. Ana seguia na condição de contrariedade involuntária, portanto.
E são borboletas. Não mariposas, como poderia sugerir a escuridão que deve haver dentro de uma barriga. Na noite, as cores são desnecessárias.
Mas dentro de gente, quando borboletas acordam, tem luz. Convêm os matizes.
Mas dentro da gente, quando borboeltas acordam, tem música. Convêm a dança.
Daí elas irem cada uma pra um lado no salão. Sua coreografia não é combinada.
Borboletas na barriga, eis algo que nos escapa ao controle, mesmo estando presas. Não podemos, malvados, colocar alfinetes em suas asas.
Breve interlúdio para que uma pessoa de um lugar muito quente saiba algo muito importante sobre dormir ao lado de uma pessoa que vive em um lugar muito frio:
Entre os dois corpos adormecidos, é comum que se crie um vão por onde o ar gelado da noite entra sob as cobertas e contrasta com o calor da pele. Isso é muito, muito frio e congela ombros e pescoços. É preciso estar atento, muito atento para isso e sempre cobrir essas partes da pessoa amada.
De volta às borboletas na barriga:
Existe uma forma de controlar as borboletas na barriga. E não depende muito da pessoa. Ou elas sossegam com o tempo, aos poucos cansam dessa história toda e resolvem cochilar, ou descobre-se que o motivo de tamanho alvoroço - outra pessoa - também as tem.
E, como se sabe, segundo as leis naturais, borboletas anulam borboletas e, de ambos os lados, elas cessam a bagunça.
Cessam mas não deixam de existir.
Conta-se que Ana foi encontrar a tal pessoa, a que lhe provocava as borboletas.
Quando o viu sentiu algo como um soluço a subir pelo peito. Algo que não chegava a ser incômodo, mas que, achou, poderia lhe causar alguma vergonha.
Não foi um soluço. Mas algo mais parecido com um suspiro.
Abriu levemente a boca e: uma borboleta. Percorreu o curto espaço que ainda os separava.

Beijo





Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.


Poderão existir Beijos salgados e Beijos doces dos mesmos lábios?
Há com certeza Beijos insípidos, Beijos que traem, Beijos que mentem…
Beijos que não nos fazem sentir beijados…
Beijos que não se entregam…
Beijos que cumprem o seu “horário beijador ou beija-dor”…
Mas há Beijos Indeléveis, Mágicos e Inefáveis…
Suaves… arrebatados… intensos… paulatinos… sensuais…
O Beijo é como uma inspiração, uma dança de salão, quiçá uma Rumba? Um Tango? Uma Valsa? Será com certeza a dança do Beijo.
Há beijos de Alma.
(A propósito, aqui fica UM BEIJO.)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quando o carnaval chegar...


Portanto, dentro deste universo carnavalesco, o homem consegue superar os limites sócio-político-econômicos do dia-a-dia em sociedade para viver e celebrar a liberdade familiar entre os homens. Sem as correntes hierárquicas opressoras, na livre evolução do carnaval, o homem se organiza em massa e subverte a ordem tirânica instituída. Logo, o carnaval funciona como passarela da utopia, refúgio da fantasia, apoteose da liberdade e da igualdade. O carnaval é catarse coletiva, é purgação das tensões do dia-a-dia, é possibilidade de evasão, é expressão de protesto social para os oprimidos, é controle social para os opressores, é transgressão comercializada que serve aos donos do poder. O carnaval é ambíguo, é plural, é antropofágico, tem sentidos diferentes para diferentes pessoas, tem diferentes sentidos para a mesma pessoa. É, por isso, que todos aguardam e se guardam "pra quando o carnaval chegar", como afirmam os versos da canção-protesto de Chico Buarque, na década de 70, numa abordagem reflexiva sobre a importante função do Carnaval na vida do Homem: " Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando ? e não posso falar / tô me guardando pra quando o carnaval chegar... (...) Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada quem dera gritar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar." É dentro desta permissividade da abertura do carnaval que se dá o processo de mudança e renovação. As ruas e avenidas da cidade se transformam em palco onde o povo, impunemente, solta a voz reprimida, adiada e vive os mais variados papéis na prática do alívio das tensões. Do ponto de vista do poder, o carnaval institucionalizado funciona como forma de controlar os desajustes provocados pela repressão habitual. A livre fala do carnaval favorece a neutralização dos conflitos acumulados. E, assim, o Carnaval por ser polissêmico serve ao Povo e serve ao Poder. Agora, vamos ouvir a voz poética de Drummond iluminando uma instigante leitura sobre o carnaval.

VER E OUVIR, SEM BRINCAR

Carlos Drummond de Andrade
Ninguém pergunta mais:
_ Você vai brincar no carnaval?
Brincar, irmão, quem pode brincar
se perdida foi a idéia de brinquedo?
Alguns ainda perguntam:
_ Como é? Vai pular no carnaval?

Então é isso a festa: um pulo
e outro pulo e mais outro? Neste caso,
campeoníssimo seria João do Pulo.
O que ouço dizer é simplesmente:
_ Vai ver o carnaval?
Conclusão, ano 80:
Carnaval
é o visual.

Você não brinca mais,
nem mesmo pula mais
na rua hoje deserta, no salão
onde um suor se liga a outro suor
e ar condicionado é falta de ar.
Que pode o folião? Acaso existe ainda,
e funciona, essa palavra folião?
Folia, antiga dança rápida
que o adufe acompanha, no dizer
de sábio, antigo, dicionário.
Quem me dança a folia, quem folia,
quem fol ou fou, folâtre, folichon, folle,
fool, pratica o foliar?

Ah, sim, o sambista e sua escola
foliando para turistas e a distinta
Comissão Julgadora. Pontos! Pontos!
Quesitos mais quesitos! Briga feia
nessa programação oficial
que garimpa e governa o carnaval.
Foliam para os outros. Não foliam
pelo gosto,
pela graça,
pelo orgasmo de foliar, loucura santa,
desabrochar do corpo em rosa súbita,
em penacho, batuque, diabo, mico,
chama, cometa, esguicho, gargalhada,
a cambalhota em si, o riso puro,
o puro libertar-se da prisão
que cada um carrega um sua liberdade
vigiada, medida, escriturada.

Então pego uma sobra, vou olhar,
ouvir
a cor, o som, o balancê padronizado
que rioturisticamente se oferece
ao mercado da vista e dos ouvidos.
Eu vejo, não me integro,
não participo, não sou o grande todo,
nem o grande todo é mesmo todo e tudo.
Entre o olho e o desfile,
a arquibancada corta o meu impulso
de ser um com eles, ir com eles
pela rua afora,
pelo sonho afora.

A rua, onde ficou
a velha rua, seu espaço de brincar,
seu aberto salão a céu aberto,
sem entrada paga, sem cambistas,
e fiscais?
O carnaval é rua, não teatro,
não show, produto industrial
monumental
a ser consumido numa noite
de lenta evolução
e classes divididas
pelo respeitável público pagante.
Como comprar, como pagar
o que não tem preço e chama-se
alegria?


Por Fátima Miguez

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tá com raiva?

"Uma pessoa muito zangada, na verdade, está amedrontada e assim, ataca. Toda hostilidade tem origem no medo, no desespero, em não saber como agir e como defesa, acaba por atacar"
Qual sua reação quando algo não acontece como gostaria? Ou diante de uma injustiça? Você consegue identificar as situações que o faz sentir raiva?

Quando a sente, em geral você a expressa de alguma maneira ou a reprime? Como foi a última vez que teve um acesso de raiva? Caso tenha consciência do que gerou seu último acesso de raiva, será que era mesmo esse o motivo? Sabemos que a "raiva" deseja o que quer, quando quer e nas condições que quer, como se não houvesse o menor controle sobre ela.

Descobrir a raiva em si pode indicar descobertas muito maiores e que devem ser reveladas, mas se não for explorada pode se tornar um grande obstáculo para investigar outras emoções mais profundas. A maioria das pessoas que fica zangada com frequência pensa que conhece bem suas emoções, principalmente por causa de seus acessos.

Quem sente raiva quase sempre acredita que a raiva em si seja um sentimento genuíno, o que nem sempre corresponde à verdade. Nem sempre sabem o que estão realmente sentindo além da raiva facilmente perceptível, que em geral devasta tudo que está no caminho, como se fosse um furacão, deixando apenas como consequência os prejuízos. Os acessos de raiva são experiências muito dolorosas, tanto para quem as sente, como para quem é alvo dela. Porém, em muitos casos, a raiva acaba por ser tornar uma fortaleza de defesa para quem se sente sem poder e faz o possível para enfrentar um mundo que para ela é assustador.

Algumas situações de frustração podem fazê-lo querer provar de quem foi a culpa ou jurar vingança, quando na verdade podem ser expressões de desespero e desamparo. Lembre-se de alguma situação em que alguém o tratou assim, jurando que você iria pagar pelo que fez. Será que essa pessoa não estava se sentindo desamparada?

Uma pessoa muito zangada, na verdade, está amedrontada e assim, ataca. Toda hostilidade tem origem no medo, no desespero, em não saber como agir e como defesa, acaba por atacar. A raiva parece gerar uma coragem além do que acredita ter, podendo se tornar tão compulsiva que resulta quase sempre em violência. A pessoa irada parece estar sentindo qualquer sentimento, menos medo, mas não só está com medo, como apavorada. Pavor de perceber que não é capaz de controlar tudo. E sentindo-se assim, também deve sentir muita dor, porém essa dor é negada. Ou seja, sob a raiva há a dor e sob essa dor há o medo.

A dor pode ter sido causada por diversos motivos, a morte de alguém querido, a perda de um emprego, a falta de dinheiro para pagar as contas, um processo perdido, uma injustiça contra sua pessoa, o diagnóstico de uma doença, ter sido maltratado e quem o tratou assim não sentiu arrependimento, ou outros tantos fatores.

Como essa dor foi desprezada e negada, acaba por ficar reprimida e necessita ser manifestada de alguma forma, sendo muitas vezes expressa em forma de raiva. A raiva pode ser uma dor que foi reprimida e, por ser tão intensa, se torna mais fácil ficar irado do que entrar em contato com a dor.

Mas é preciso lembrar-se que a dor não desaparece com um acesso de raiva, muito pelo contrário, pode gerar mais dor pelas consequências que essa expressão pode causar. Quanto mais a dor é negada, maior e mais frequente será a raiva, que é duplamente dolorosa. A dinâmica interior não é sua raiva, mas a causa da sua raiva. Essa é sua dor. Buscar essa causa é o que diminuirá de senti-la. Nem sempre quem o faz sentir raiva coincide com a causa da sua dor. A raiva é muito mais uma fuga dos próprios sentimentos.

A raiva também se manifesta em situações de impotência, a qual faz com que você se considere sem valor, incapaz de fazer diferença para alguém. Se a dor perante os fatos for profunda, poderá ser encoberta pela raiva, que o faz agredir por não se sentir capaz de amar e assim rejeita o amor dos outros - e que tanto necessita - por não acreditar ser merecedor desse amor.

A raiva impede o amor e isola a pessoa que a sente. É uma tentativa de afastar o que mais deseja: companhia e compreensão. No fundo acredita não ser capaz de ser entendido ou que não merece tal compreensão, tornando-se o primeiro a rejeitar qualquer possibilidade disso acontecer. O amor não ameaça forma alguma de vida, mas alimenta, apóia, busca acima de tudo a harmonia.

Como lidar com a raiva

Na próxima vez que sentir raiva, procure identificar se há medo ou dor por algo que aconteceu. Entre em contato com seus sentimentos, sem negar ou fazer que não os sente. Use sua raiva para descobrir mais sobre si mesmo. Ao se sentir com raiva, zangado por algo que ocorreu, pare o que estiver fazendo, falando ou pensando, opte por não gritar, atirar um objeto ou reagir com violência impulsiva, e volte sua atenção para o que estiver sentindo.

Isso não será fácil, mas valerá o esforço. Canalize sua energia em sua consciência, que o impedirá de agir por impulso e busque explorar seus sentimentos, incluindo a dor que está sentindo. Nesse momento perceberá que ter um acesso de raiva irá desviar sua atenção da verdadeira causa: sua dor. Mas ao se confrontar com sua dor perceberá ser o caminho mais seguro para deixar de senti-la.

por Rosemeire Zago

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

"Existe uma flor,creio que ela me cativou"


Parece que não há nada de novo tudo o que já por aí está soa como uma repetição contínua de um correr pra onde não se sabe estamos acordando todos os dias trabalhando todos os dias comprando todos os dias dormindo todos os dias apenas para esperar o próximo dia chegar qual o significado de tudo isso? Por que correr trabalhar comprar dormir todos os dias? Aonde o ser humano quer chegar? Parece-me que o sentido da vida é simplesmente viver um dia após o outro no maior conforto possível tendo o máximo de prazer possível no entanto o simples fato de ter prazer já é algo raríssimo: se trabalho o dia inteiro se trabalho em casa,se peroc horas preocupada com problemas finaceiros, se demoro horas em filas de supermercados, bancos, restaurantes, cinemas, quanto tempo me sobra para ter prazer? Mas ter prazer é realmente tudo? Viemos não sei de onde somente para termos prazer e para ter? Eta crise existencial besta essa que me apurrinha a cabeça o coração e o espírito?!

Alguém viu alguma flor hoje?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois brigam, e então você vence!

Como minha primeira postagem aqui em 2012 vou recomendar a  todos os visitandes um vídeo muito interessante.
http://www.ted.com/talks/lang/pt/bunker_roy.html#.TwYxxQN1pSN.facebook

Pra termos a vontade de fazer a diferença, ver o quanto temos que aprender.Fica aqui minha lembrança e minha singela homenagem a um pé descalço que me ensinou a ser gente nesse mundão, meu querido avô Joaquim( você faz falta aqui nesse mundo vô). Um feliz ano e não desista e nem tampouco abra mão dos seus ideais.Obrigado ao amigo Pedro por ter enviado este vídeo ao meu conhecimento.